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Paixão... O que é mesmo?  escrito em segunda 14 julho 2008 23:35


Se fosse procurar a definição de paixão no dicionário, encontraria definições como: sentimento excessivo, amor ardente, entusiasmo, grande mágoa, objeto de grande afeição, vício dominador, parcialidade, afeto violento, cólera e alucinação. Encontraria também referência a partes do Evangelho e ainda ao martírio de Cristo.

 

Mas este post pode ser uma espécie de definição pessoal. Daquelas que não vêm no dicionário e que ninguém entende e provavelmente que ninguém concorda. Mas para mim, paixão é fast food...

 

Paixão é aquele sentimento incompreensível e inexplicável que nos ataca ao longo da vida. Não só por pessoas, mas também por objetos, animais e tantas coisas mais.

 

É um sentimento livre, puro, que nos atormenta e nos tira o sono. Mas acima de tudo, é um sentimento que nos consome e que nos faz desejar alguma coisa, com uma intensidade tal que nos invade o pensamento e ocupa todos os recantos da alma.

 

É algo que vai e vem. De forma rápida e mortal. Podemos apaixonarmo-nos várias vezes, por muitas coisas e de várias maneiras.

 

Mas a paixão é sempre igual. Vem, aparece, leva-nos à loucura e vai embora...

 

Hoje em dia, a paixão aparece de forma muito rápida e consome-se num instante. Paixão é fast food!

 

Não é como aquela comida caseira de antigamente, que levava muito tempo a preparar, saboreava-se com vontade e digeria-se de forma lenta, porque era uma comida pesada.

 

Hoje em dia, paixão é fast food. Vemos, olhamos, apetece-nos, dá-nos vontade e vamos comprar para comer. Em pé, no carro, num banco de jardim, em casa, no trabalho, nas escadas e por aí fora. Comemos rápido, porque temos sempre falta de tempo, mastigamos sem saborear, porque afinal tudo sabe à mesma coisa e deitamos os restos no lixo.

 

Nem nos preocupamos se estava bom ou não. Afinal, limitámo-nos a mastigar e digerimos na corrida do dia-a-dia.

 

Já não nos sentamos à mesa do restaurante, já não pedimos a ementa, já não escolhemos o que nos apetece, já não comemos entradas, já não nos deliciamos com aquilo que nos estava mesmo a apetecer, já não repetimos a dose, já não arranjamos mais espaço para a sobremesa, já não tomamos café. Apenas continuamos a pagar a conta, porque afinal de contas, comida é comida é há que pagar para comer.

 

Há uns dias, talvez semanas, um amigo que muito estimo e que não vou esquecer, porque afinal a vida proporciona-nos o conhecimento de pessoas maravilhosas, dizia (e passo a citar): “Custa mais ter uma fixa do manter uma a dias!”. Ainda bem, que sei que a frase saiu em tom de brincadeira, embora me pareça que é mesmo assim.

 

Preferimos comer vários tipos de comida ao longo da semana, do que cozinhar de forma a comermos duas ou três vezes.

 

Não nos importa que saiba tudo ao mesmo e que a comida não preste nem faça bem à saúde, o que importa é que seja rápido, na hora em que nos apetece, na altura em que queremos. É um sentimento de posse que não conseguimos controlar. Queremos e queremos já, de preferência para ontem, como se costuma dizer.

 

Hoje em dia, a paixão é fast food…

 

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