
Se
fosse procurar a definição de paixão no
dicionário, encontraria definições como:
sentimento excessivo, amor ardente, entusiasmo, grande
mágoa, objeto de grande afeição, vício
dominador, parcialidade, afeto violento, cólera e
alucinação. Encontraria também
referência a partes do Evangelho e ainda ao martírio
de Cristo.
Mas
este post pode ser uma espécie de definição
pessoal. Daquelas que não vêm no dicionário e
que ninguém entende e provavelmente que ninguém
concorda. Mas para mim, paixão é fast
food...
Paixão é aquele sentimento incompreensível
e inexplicável que nos ataca ao longo da vida. Não
só por pessoas, mas também por objetos, animais e
tantas coisas mais.
É um sentimento livre, puro, que nos atormenta e nos
tira o sono. Mas acima de tudo, é um sentimento que nos
consome e que nos faz desejar alguma coisa, com uma intensidade tal
que nos invade o pensamento e ocupa todos os recantos da
alma.
É algo que vai e vem. De forma rápida e mortal.
Podemos apaixonarmo-nos várias vezes, por muitas coisas e de
várias maneiras.
Mas a
paixão é sempre igual. Vem, aparece, leva-nos
à loucura e vai embora...
Hoje em
dia, a paixão aparece de forma muito rápida e
consome-se num instante. Paixão é fast
food!
Não é como aquela comida caseira de antigamente,
que levava muito tempo a preparar, saboreava-se com vontade e
digeria-se de forma lenta, porque era uma comida
pesada.
Hoje em
dia, paixão é fast food. Vemos, olhamos, apetece-nos,
dá-nos vontade e vamos comprar para comer. Em pé, no
carro, num banco de jardim, em casa, no trabalho, nas escadas e por
aí fora. Comemos rápido, porque temos sempre falta de
tempo, mastigamos sem saborear, porque afinal tudo sabe à
mesma coisa e deitamos os restos no lixo.
Nem nos
preocupamos se estava bom ou não. Afinal,
limitámo-nos a mastigar e digerimos na corrida do
dia-a-dia.
Já não nos sentamos à mesa do restaurante,
já não pedimos a ementa, já não
escolhemos o que nos apetece, já não comemos
entradas, já não nos deliciamos com aquilo que nos
estava mesmo a apetecer, já não repetimos a dose,
já não arranjamos mais espaço para a
sobremesa, já não tomamos café. Apenas
continuamos a pagar a conta, porque afinal de contas, comida
é comida é há que pagar para
comer.
Há uns dias, talvez semanas, um amigo que muito estimo e
que não vou esquecer, porque afinal a vida proporciona-nos o
conhecimento de pessoas maravilhosas, dizia (e passo a citar):
“Custa mais ter uma fixa do manter uma a dias!”. Ainda
bem, que sei que a frase saiu em tom de brincadeira, embora me
pareça que é mesmo assim.
Preferimos comer vários tipos de comida ao longo da
semana, do que cozinhar de forma a comermos duas ou três
vezes.
Não nos importa que saiba tudo ao mesmo e que a comida
não preste nem faça bem à saúde, o que
importa é que seja rápido, na hora em que nos
apetece, na altura em que queremos. É um sentimento de posse
que não conseguimos controlar. Queremos e queremos
já, de preferência para ontem, como se costuma
dizer.
Hoje em
dia, a paixão é fast food…