Sabe gente, pior que a tristeza de um nunca, ou a
incerteza de um talvez, é a agonia de um quase. Com o nunca a gente
lida, fica ligada que é melhor nem pensar mais no assunto. Entende
que é melhor procurar por outra coisa, outro alguém, outra cidade.
Com o talvez, a gente convive. Dá-se um jeitinho sempre, afinal,
por traz de um talvez sempre tem um não e um sim, ainda resta uma
luz no fim do túnel, resta algo ou alguém a quem se prender. Mas o
quase, apenas o quase é complicado, é doído. Com o quase, a gente
vê nossos sonhos indo embora, a esperança acaba a luz se
apaga.
Um quase, na vida de qualquer pessoa, é de se desanimar. A gente
sempre se sente incapaz, incompleto, inseguro, insatisfeito. Um
quase não traz vitórias, não deixa o nome gravado na história. É
constante ouvirmos pessoas dizerem que quase chegaram lá, mas
assim, foi por pouco sabe? Mas então eu pergunto: teve resultado, o
seu quase fez diferença, ou alguém conseguiu fazer mais que
você?
Óbvio, não conseguimos ser 100% em nossa vida o tempo todo, nós
somos humanos, somos seres errantes, aprendizes, o quase faz parte
sim da nossa vida. Mas não se nega que ele é doído. Quase passei no
vestibular, quase ganhei na mega-sena, quase cheguei na hora certa,
quase consegui aquele abraço, quase que tive coragem para
convidá-lo para sair... Quase, quase, quase... De quantas falsas
esperanças e quase's é feita nossa vida?
É nessas horas que eu preferiria um nunca. Nunca mais vamos nos
ver, nunca mais vou fazer isso, nunca mais vamos passar por uma
despedida. Ou quem sabe um talvez, talvez ele volte, talvez ele
ligue, mande um e-mail, talvez apareça numa terça feira pra dizer
que não vai embora. Mas esse quase, esse quase é terrível. Dá uma
sensação de incapacidade, de falta de coragem, de falta de
competência. Um quase na vida de alguém é como uma tempestade negra
que chega aos poucos, que não te deixa sair de casa por medo de
pegar chuva. Um quase é o tipo de lembrança que você carrega
consigo pro resto da vida, mas que não faz diferença alguma na vida
da outra pessoa, afinal, foi apenas quase.
Ani Veiga

















